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O futebol e as minorias

John Early/Getty Images

O futebol, dizem, é para todos. Na teoria, o esporte serve para unir as pessoas, juntar diversas tribos e fazer com que elas se unam por um ideal em comum: normalmente, a mesma equipe de coração. A prática, porém, é completamente diferente. O futebol é um espelho da sociedade e, portanto, carrega consigo marcas desta sociedade: o racismo, o machismo e a homofobia.

Ser uma minoria e tentar fazer parte do mundo do futebol não é uma coisa simples. Seja por sua cor de pele, por sua orientação sexual ou simplesmente por seu gênero, o participante de algum destes grupos que ousar participar deste mundo passará por dificuldades.

Desde a falta de aceitação dentro do esporte em si para o caso de jogadores e jogadoras até a exclusão das arquibancadas e espaços de direito dos torcedores, ser uma minoria envolvida com este jogo é uma batalha diária. Racismo, machismo e homofobia são constantes no esporte mais popular, mas nem por isso democrático, do país.

Racismo

Estamos em novembro, mês da consciência negra, com temporada rolando e ainda mais umas duas semanas de jogos pela frente. Apesar do ano ainda não ter acabado, o Brasil bateu um recorde negativo: 2019 é o ano com mais casos de racismo no futebol brasileiro.

Segundo levantamento do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, foram 53 casos de ofensas raciais envolvendo clubes do futebol nacional, sendo 47 em campeonatos nacionais e seis em torneio continentais, maior marca em um único ano – o detentor do recorde era 2018 com 44 casos -, além de 13 casos envolvendo brasileiros no exterior.

Para o antropólogo Victor Ferreira Martins, formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), isso se dá pelo fato de o futebol ser um reflexo da sociedade. “Vivemos em uma sociedade racista. Não só no Brasil, mas no mundo como um todo. O aumento dos casos de 2018 para 2019 no nosso país não surpreende, afinal, vemos uma espécie de legitimação do discurso racista em nossa sociedade desde as campanhas eleitorais de 2018”, explica.

A falta de punição também é um fator que contribui para o aumento do número de casos. Entre os 53 casos apontados pelo estudo do Observatório da Discriminação, nenhum teve uma punição exemplar ou, até mesmo, individual para quem praticou o ato. A sensação de impunidade faz com que as pessoas ajam de maneira mais aberta em casos de racismo.

Divulgação/Observatório da Discriminação Racial no Futebol

“O torcedor saber que não vai ser punido individualmente por seus atos e até mesmo saber que a própria instituição não deve sofrer uma punição severa, afinal, a maioria dos casos é resolvido com multas em valores irrisórios perto das arrecadações anuais dos grandes clubes, faz com que ele aja desta forma, meio que até incentiva o individuo que é racista a se manifestar”, analisa Victor.

Para se ter uma noção das punições, o caso mais emblemático aconteceu com o brasileiro Taison no futebol ucraniano. Atacante do Shakhtar Donetsk, Taison disputava o grande clássico local contra o Dínamo de Kiev quando os torcedores visitantes começaram a imitar macacos para provocar a ele e seu compatriota e companheiro de ataque Dentinho.

Incomodado com a situação e chorando, Taison mostrou o dedo do meio aos torcedores que praticavam os atos racistas e chutou a bola na direção da torcida adversária. A partida foi paralisada e depois de muita conversa entre a arbitragem e os jogadores retomada. O brasileiro recebeu um cartão vermelho por sua reação e foi expulso da partida.

Na semana seguinte, a Federação Ucraniana julgou todos os envolvidos no caso, puniu o Dínamo de Kiev com uma partida com portões fechados e manteve a expulsão de Taison, deixando-o de fora da partida seguinte no Campeonato Ucraniano. Ou seja, a punição foi praticamente a mesma para quem cometeu o ato racista e para quem foi discriminado.

O machismo

Além do racismo, o machismo é outra cultura que impera no ambiente do futebol. Tradicionalmente masculino, o “mundo da bola” encontra muitas dificuldades para aceitar que mulheres façam parte deste dia a dia e, principalmente, trabalhem nele, seja como jogadora ou comentarista.

Mariana Spinelli é jornalista dos canais ESPN e, apesar de ainda ser estagiária, vem ganhando projeção, participando de programas da casa e de diversas ações em redes sociais. Com isso, vem o reconhecimento, mas, também, o machismo.

“Tem melhorado bastante, mas ainda me deparo com muitos comentários machistas, principalmente em redes sociais. Quando alguém discorda da minha opinião, geralmente, não é o argumento que é colocado em xeque, mas a pessoa”, diz. “Não tentam discutir e mostrar por que acham que estou errada, mas vem com aquele papo de ‘volta para a cozinha’ ou ‘é isso que dá colocar mulher para falar de futebol’”.

Mas não é só no jornalismo esportivo que as mulheres sofrem para exercer sua profissão. Apesar dos avanços, como índices recorde de audiência na última Copa do Mundo, o futebol feminino ainda é visto com muito preconceito e desdém. Há quem, inclusive, sequer o considere um esporte.

Apenas dos últimos dois anos para cá que os principais clubes do país começaram a investir na modalidade e, alguns, apenas pela obrigatoriedade de uma regra da Conmebol, federação sul-americana, de equipes que disputam a Libertadores, principal campeonato continental, masculina terem uma equipe feminina.

Um clube que vai na contramão desta tendência é o pequeno, mas tradicional, Taubaté. A equipe do interior de São Paulo é uma equipe consolidada no cenário estadual do futebol masculino e começou a investir no feminino antes mesmo das grandes equipes do estado – Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. Se engana, porém, quem acha que isso facilitou a aproximação com o torcedor e a vida das jogadoras do Burro da Central.

Mesmo sendo uma equipe que conquistou bastante resultados expressivos, o time feminino do Taubaté demorou para ser aceito pelo torcedor. O diferencial veio em uma campanha organizada pelo clube no Dia Internacional da Mulher de 2018.

Campanha do Taubaté no Dia Internacional da Mulher em 2018

“A gente vive em um país muito machista e apaixonado por um esporte que ainda é muito machista também. Infelizmente, o futebol e o Brasil são dois meios que, desde sua criação até os dias de hoje, têm muito problema em agregar não só as mulheres como qualquer tipo de minoria”, diz o diretor de comunicação do clube, Caíque Toledo.

 “Então a gente, ao perceber isso, que não é de hoje e vem ao longo do tempo, a gente crê que esteja diminuindo, mas ainda é uma parcela muito pequena que tem essa consciência que deveria ser básica, a gente foi identificando que até aqui, em um time de menor expressão, que tem um time de futebol feminino forte, de qualidade, que disputa campeonatos de alto nível, ainda temos torcedores que têm esse pensamento retrógrado, totalmente machista, que é muito, muito difícil de lidar”, prossegue.

Pensando nisso, o Taubaté decidiu criar um trabalho de divulgação e valorização do futebol feminino através de campanhas em redes sociais. Em 8 de março de 2018, o clube lançou um vídeo aonde as jogadoras foram convidadas a lerem os comentários que chegavam em publicações sobre a equipe feminina e, assim, exporem os pensamentos que rondam o futebol feminino no Brasil.

Entrevista com Caíque Toledo, diretor de comunicação do Taubaté

“Separamos alguns destes comentários, pegamos alguns de outras páginas de grandes clubes, a gente fez questão de ir em páginas de clube que tem futebol feminino muito consolidado. Na época a gente pegou de exemplo Corinthians e Santos que talvez sejam as duas principais equipes no futebol feminino e a gente buscou alguns comentários assim”, explica Caíque.

“Tinha mesmo muitos comentários de pessoas com teor machista e a gente pegou e pediu para elas lerem. A maioria não sabia o que iam ler, a gente só avisou que ia gravar uma campanha e falamos ‘ó, queremos que vocês leiam esses comentários aqui que foram feitos em uma página de um jogo de futebol feminino’, então teve uma ou outra que pediu pra ler antes, mas a maioria foi pega de surpresa”.

A campanha foi um sucesso, repercutiu de maneira bastante positiva, principalmente na cidade, e acabou sendo de muita ajuda às meninas da equipe. “Depois a gente achou por bem tentar passar essa mensagem, acho que acabou dando certo. Acho que não exclusivamente por isso, mas por conta dos resultados, da divulgação, a gente identificou uma aproximação um pouco maior do nosso torcedor com o futebol feminino”.

“A gente crê que, aos poucos, a gente está conseguindo aproximar o torcedor um pouco mais do futebol feminino. Claro que ainda é muito difícil, como eu falei a gente ainda vive um país e um esporte com muito machismo enraizado, mas a gente crê que atitudes e ações que parecem pequenas para quem vê de fora, mas para quem trabalha com isso e com as jogadoras principalmente são gigantes e podem ajudar a conquistar mais respeito com elas e com o esporte em geral”, finaliza.

A homofobia

Por fim, outro problema que impacta bastante o cenário do futebol brasileiro é a homofobia. O esporte começou a ser disputado no Brasil no final do século XX e, até hoje, não tivemos um único caso de um jogador homossexual que saiu do armário, seja durante sua carreira ou já aposentado. A homofobia está atrelada ao machismo e dos três talvez seja o de mais difícil combate.

“O grande problema da homofobia é que, no futebol, ela é ‘indireta’. Por exemplo, o grito de ‘bicha’ que algumas torcidas adotaram quando o goleiro adversário cobra um tiro de meta”, diz Victor Martins. “Ao conversar com torcedores que reproduzem esse grito é comum ouvir algo como ‘não é homofobia, o goleiro não é gay, é só um grito para provocar’. O problema, porém, é que a gente não sabe a sexualidade dos jogadores”.

“Não é impossível pensar que, por exemplo, entre os 20 goleiros titulares da Série A do Campeonato Brasileiro, ao menos um dele seja homossexual. No entanto, nunca saberemos por ele não ter coragem de se expor, o que é compreensível”, prossegue.

É o que difere a homofobia do racismo, por exemplo. É impossível alguém “esconder” que seja negro porque é o tom de pele e ele é visível. A sexualidade de alguém, porém, é “invisível” em muitos casos. Ninguém carrega uma placa no pescoço com os dizeres “sou homossexual”, o que dificulta na hora da compreensão da homofobia.

Quem sofreu por não ser invisível, porém, foi Yuri Senna. Torcedor do Cruzeiro, Yuri foi a uma partida acompanhado de seu namorado e “flagrado” do crime de demonstrar amor: outro torcedor tirou uma foto do casal abraçado nas arquibancadas do Mineirão e ela logo viralizou, transformando os dois em alvo de xingamentos homofóbicos e ameaças de morte.

Depois de alguns dias de inferno, Yuri decidiu utilizar o acontecimento para algo positivo: trazer luz ao debate da homofobia no futebol. Em 17 de novembro, criou a “Marias de Minas”, a primeira torcida organizada LGBT do Cruzeiro.

“O amor pelo Cruzeiro nos uniu e a nossa luta por espaço, respeito e inclusão nos mantém conectados e fortes. A ideia de uma torcida LGBTQI+ não é segregar, mas sim trazer visibilidade a um meio que nos excluiu primeiro”, diz o manifesto da torcida, divulgado via Instagram.

“Tive a iniciativa no começo do ano, mas não teve muita adesão. Depois de casos que deram mais visibilidade ao problema da homofobia no futebol, mais pessoas se engajaram e entraram em contato e, hoje, somos cerca de 90 pessoas”, conta Yuri.

O nome “Maria de Minas” é uma tentativa de ressignificar um apelido machista e homofóbico dado pela torcida do Atlético-MG, rival do Cruzeiro, ao clube celeste. “Ser Maria é um sinal de poder e resistência e não de vergonha”, diz o fundador.

A questão da homofobia é mais delicada do que as outras até para os clubes. 28 de junho marca o Dia do Orgulho LGBT no mundo e, neste ano, quase todos os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro se manifestaram na data. A questão, porém, é que as manifestações não passaram de posts em redes sociais. Sequer uma campanha real pelo combate à homofobia foi feita por um clube de relevância nacional.

Um diretor de um clube grande da capital paulista, que preferiu não se identificar, revela que isso se dá ao fato do medo que os clubes têm em relação à reação de seus torcedores.

“Ao contrário do machismo e do racismo, a homofobia ainda é vista como algo normal no futebol e ser associado a qualquer coisa não heterossexual é quase um crime e, sempre, uma ofensa para grande parte dos nossos torcedores, o que faz com que as campanhas não sejam realizadas”, diz.

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